
Processo nº 19/1100-0001270-7
Parecer nº 360/2019 CEC/RS
O projeto “ORQUESTRA VILLA LOBOS - ÁFRIKA” é recomendado para avaliação coletiva.
1. Sob a produção cultural de BLIMDOM - Planejamento e Projetos culturais LTDA.; responsabilidade legal de Rosane Furtado Fernandes, na função de produtora executiva, o projeto em epígrafe, da área de Música, está previsto para ser realizado em Porto Alegre – no auditório Araújo Vianna, entre os dias 22 de fevereiro a 29 de abril de 2020. Segundo o proponente, na apresentação do projeto,
O espetáculo AFRIKA (África, na língua Iorubá) traz ao palco a cultura africana, em sua diversidade tão genuína, por meio da música orquestral, percussão, canto e dança e também por figurinos e cenário que apresentam elementos visuais e trajes dos povos africanos. O programa musical do espetáculo é extraído das tradições orais, mitologia, música popular e da chamada diáspora (imigração forçada da população africana a países que adotaram a mão de obra escrava) africanas, que inclui a cultura afro-brasileira. O espetáculo será apresentado no Auditório Araújo Vianna, em abril de 2019, em duas sessões (15h para escolas e 20h para público em geral), com entrada franca. Reunirá 50 jovens instrumentistas da Orquestra Villa-Lobos, coral infantil e adulto de 60 vozes, 5 bailarinos de dança afro e músicos convidados. Contará com a participação especial do Grupo de Música e Dança Afro-Sul, Coral Sol Maior, Pingo do Borel, Mateus Mapa e Anaadi. Os arranjos instrumentais são assinados por Beto Chedid, Geyson William e Leonardo Boff; os vocais por Ana Maria Althoff e Eduardo Alves; cenário, Andrea Costa; figurinos e direção cênica, Liane Venturella; coordenação técnica, Pedrinho Figueiredo; luz, Fernando Ochoa; designer gráfico, Nando Rossa; produção executiva, Rosane furtado; direção geral e regência, Cecília Rheingantz Silveira.
Na justificativa da dimensão simbólica, o proponente afirma que
A África é um imenso continente, dividido em 55 países, habitado há mais tempo em todo o planeta: o ponto de origem do ser humano. Reconhecida pela sua grande diversidade, desde as suas características naturais até as sociais e históricas, a África reúne enorme quantidade de idiomas, com mais de mil línguas diferentes, assim como religiões, etnias, regimes políticos, condições de habitação, atividades econômicas e manifestações culturais. A cultura africana sempre foi preservada através da tradição oral, reverenciando os espíritos das florestas e aceitando a coexistência com forças desconhecidas da natureza, fazendo com que cada povo tivesse uma origem mitológica para explicar as próprias origens. O homem precisa respeitar a natureza, a vida e os outros homens. Desta forma, a arte africana tem grande valor simbólico, voltada ao culto dos antepassados, ao espírito religioso e à preservação das tradições. Representa os usos e costumes dos povos africanos. O objeto de arte é funcional e representativo, de uso diário, como adorno corporal, trajes típicos com figuras geométricas e antropomórficas. Os povos africanos possuem uma grande variedade de músicas e danças, geralmente marcadas pelos batuques e pelos movimentos corporais, imitando animais ou os próprios Orixás (ancestrais africanos que correspondem a elementos de força da natureza), englobando diferentes ritos e crenças. A música popular da África, assim como a música tradicional africana, é vasta e variada. A maioria dos gêneros contemporâneos é baseada na polinização cruzada com a música popular ocidental. Por outro lado, os movimentos artísticos que deram forma ao que chamamos de música popular mundo afora são todos associados às populações afro e afro-diaspóricas – samba(s), rock, jazz, blues, swing, baiões, tango(s), rumba, salsa(s) e suas derivações. Ou seja, derivam das músicas tradicionais da África e foram levados para as Américas por africanos escravizados, na chamada diáspora. Afrika é um espetáculo de energia contagiante, colorido e alegre - marcas da cultura africana - mas que também conta a dor de um povo submetido à escravidão, mas que fez valer as suas origens para dignificar a identidade de seu povo. Para levar ao palco este tema instigante com autenticidade, e considerando que a cultura africana, apesar de muito próxima às origens étnicas dos integrantes da orquestra, ainda, para a maioria deles, está distante do domínio de seu conteúdo complexo e variado. Então, se fez importante prever encontros para troca de conhecimentos e estudo sobre a África. Os encontros acontecerão entre acadêmicos e artistas e os jovens músicos da Orquestra Villa-Lobos por meio de conversa, oficinas e bate-papos que abordarão a geografia do continente africano, panorama etnomusical, ancestralidade, identidade afro-brasileira e músicos descendentes africanos em Porto Alegre, nas semanas em que antecedem o espetáculo a se realizar na EMEF HeitorVilla-Lobos. África no(a) mapa – Larissa Oyarzabal Passeio pela Música da África – Mateus MapaÁfrica: música e corpo – Iara Deodoro Ritos e tambores da África – Pingo Borel Somos o que herdamos – a definir A África aqui – a definir Atividade fundamental na preparação do espetáculo é o Retiro Musical da Orquestra Villa-Lobos. Será realizado durante dois dias no Convento São Boaventura, situado no município de Imigrante, RS, com o objetivo de intensificar o estudo dos arranjos inéditos do espetáculo com a participação dos integrantes da Orquestra e seus professores de naipes. Além dos estudos musicais, o evento também oportuniza momentos de integração e sensibilização do grupo, tão importantes para o êxito do trabalho artístico coletivo. A regente e coordenadora é a professora Cecília Rheingantz Silveira, idealizadora do projeto, que entre outros prêmios, recebeu da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, a Medalha do Mérito Farroupilha e o Troféu Guri do Grupo RBS por sua atuação frente à Orquestra. (sic)
Na dimensão econômica, o proponente diz que o projeto tem como objetivo valorizar a oportunidade de parceria com empresas que operam pelos mecanismos do Pró-Cultura RS, por meio do Sistema LIC, estimulando, dessa forma, a sedimentação resultado do trabalho de educação musical desenvolvido há 26 anos na Escola Municipal de Ensino Fundamental Heitor Villa-Lobos e tem por objetivo proporcionar a crianças e jovens da Lomba do Pinheiro, periferia de Porto Alegre, o acesso ao conhecimento musical e a vivências artísticas e socializadoras, promovendo a autoestima, estabelecendo interação com os elementos da cultura local e ampliando as possibilidades de participação na sociedade contando a história da música e viabilização da produção e criação artística em nosso Estado. Todos os anos a orquestra Villa-Lobos realiza um espetáculo em grande estilo abordando temas diferenciados e envolvendo diretamente mais de 20 profissionais atuantes no mercado cultural com a participação de artistas entre eles, músicos cantores, compositores, técnicos de som e luz, equipamentos que trazem tecnologia de ponta como mesas de som e luz, microfones especiais para captação de som de orquestra, cenário em que traduz o tema proposto no espetáculo em busca da profissionalização, garantindo, assim, a qualidade de seus espetáculos. E indiretamente envolve mais 100 profissionais de todas as áreas, como na área de produtos de maquiagem, produtos para confecção de figurino e alimentação. A Orquestra Villa-Lobos já ultrapassou a marca de mil e duzentos concertos no Brasil (RS, SC, RJ, DF, BA, PB) e Mercosul (Argentina e Uruguai) para público superior a 350 mil pessoas. (sic)
Já, na dimensão cidadã, ele diz que Toda a programação será oferecida gratuitamente, garantindo a universalização e democratização do acesso à cultura e fazendo com que os resultados do projeto sejam ainda mais sensíveis. O objeto justifica-se como ação cultural para a LIC por fomentar área da cultura que precisa de incentivos para se firmar e, principalmente, popularizar-se. O acesso democrático ao evento será premissa do projeto. O local do evento, o Auditório Araújo Vianna, além de proporcionar fácil acesso de locomoção do público, abriga 3.000 lugares sentados em cada sessão, buscamos atingir no total de 6.000 espectadores. O Auditório cumpre todas as regras exigidas por lei do Projeto de Lei nº 193/2018, que assegura e promove o local, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais da pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania. A Orquestra Villa-Lobos, em parceria com o Centro de Promoção da Criança e do Adolescente São Francisco de Assis, organização não governamental, garante mais de 300 atendimentos gratuitos por semana em sete locais da comunidade nas seguintes oficinas de música: canto-coral, cavaquinho, contra baixo elétrico, expressão corporal, flauta doce, gaita ponto, musicalização infantil, percussão, piano, prática de orquestra, sapateado americano, teatro, teoria e percepção, viola, violão, violino e violoncelo. O grupo artístico é composto por 45 integrantes. A iniciativa é mantida pela Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre e tem firmado parcerias com várias instituições e empresas, entre elas, a Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho, Santander Cultural, Grupo CEEE, Ministério da Educação, Criança Esperança / Rede Globo, Banrisul, Caixa e Petrobras. (sic)
Objetivo geral: realizar duas sessões do espetáculo Áfrika com a Orquestra Villa Lobos, no Auditório Araújo Vianna em Porto Alegre.
Objetivos específicos: difundir manifestações culturais; proporcionar a crianças e jovens conhecimento musical e vivências artísticas e socializadoras; proporcionar à população shows musicais de qualidade artística; incentivar o estudo da música; ocupar os espaços públicos com atividades artísticas; formar novas plateias; promover a acessibilidade; movimentar e fortalecer o mercado cultural; desenvolver a cultura da paz e da não-violência.
Metodologia
“O processo de produção do espetáculo da Orquestra Villa-Lobos – AFRIKA até o momento buscou a concepção da apresentação no dia 04 de dezembro de 2019 no Auditório Araújo Vianna. Foram realizados os contatos de orçamento da equipe, da disponibilidade das participações especiais do Grupo de Música e Dança Afro-Sul, Coral Sol Maior, Pingo do Borel e Mateus Mapa. Os arranjos para orquestra são assinados por Beto Chedid, Geyson William e Leonardo Boff; os arranjos vocais por Ana Maria Althoff e Eduardo Alves; cenário, Andrea Costa; figurinos e direção cênica, Liane Venturella; coordenação técnica, Pedrinho Figueiredo; luz, Fernando Ochoa; designer gráfico, Nando Rossa, confirmado as suas participações no espetáculo com orçamentos e cartas de ciência de participação do projeto. Agendamento de local das oficinas preparatórias para realização dos ensaios do espetáculo AFRIKA no Convento Boa Ventura. Neste local, a orquestra ficará no período de XXX dias e abrigarão os 45 alunos participantes da Orquestra Villa-Lobos. Reunião de todo material para inscrição do projeto no Pro Cultura - Lei de Incentivo a Cultura – LIC. Realizado contatos prévios com patrocinadores interessados em realizar o aporte financeiro, via LIC. Cronograma de preparação e realização do espetáculo – após a aprovação do projeto e captação de recursos as atividades serão desenvolvidas da seguinte forma:
1º mês - setembro 2019: definição final do repertório, agendamento e fechamento de contratos com: local de realização das oficinas, local de apresentação (auditório Araújo Vianna), com equipe técnica, fornecedores de equipamentos; definição do material de divulgação, contratação assessoria de imprensa. Serão definidos os figurinos que está previsto a confecção de 115 figurinos para os participantes do palco: músicos, bailarinos, convidados, e estão inclusas as roupas, adereços e maquiagem para cada integrante da orquestra Villa-Lobos e convidados. Neste primeiro mês também terá o início de criação e confecção do cenário que tem como palco o Auditório Araújo Vianna Palco Fixo em uma área total de 284m² Boca de Cena (largura): 23m e o auditório tem a capacidade de público de 3.146 pessoas sentadas. O auditório possui todas as condições exigidas pela Lei de Acessibilidade (Projeto de lei 193/2018 – Art. 111).
2º mês - outubro 2019: início dos ensaios; realização de oficina – 02 dias - Convento Boa Ventura – Criação material gráfico - Início do trabalho de divulgação – assessoria de imprensa – agendamento de entrevistas nos veículos de comunicação - Finalização material gráfico – aprovação de inserção de logotipos dos patrocinadores / apoiadores / realizadores.
3º mês - novembro 2019: envio de convites para as escolas assistirem ao espetáculo no dia 04 de dezembro. Os ingressos serão impressos para distribuição gratuita, conforme a capacidade do auditório Araújo Vianna. Neste período será dado início da distribuição dos ingressos gratuitos em locais parceiros, como a Banca da República. Também serão distribuídos os ingressos aos patrocinadores, apoiadores, e público em geral que demonstre interesse em assistir ao novo espetáculo. Serão contratados os seguintes serviços para realização do espetáculo no Auditório Araújo Vianna: agente de segurança, equipe de limpeza e manutenção (incluso os materiais de limpeza), serviço de portaria para distribuição de ingressos no dia do evento que fará o serviço de controle de recebimento dos ingressos e orientação necessária.
4º mês - dezembro 2019: primeiro dia de montagem no auditório Araújo Vianna. Todo o processo de montagem do espetáculo demanda três dias. No primeiro dia é montado todo o cenário e os equipamentos básicos de iluminação e sonorização. No segundo dia de montagem: alinhamento de som e luz com a participação dos integrantes da Orquestra para passagem de som e afinação da luz. No terceiro dia: realização dos espetáculos. Roteiro: manhã: passagem de som da Orquestra com os convidados. Instalação de equipamento de vídeo para gravação do espetáculo; chegada dos fotógrafos para registro de making off e do espetáculo. À tarde: apresentação do espetáculo para as escolas agendadas. À noite: apresentação do espetáculo para público em geral. Obs: no dia do espetáculo são distribuídos os programas onde constam ficha técnica, roteiro musical e os logos dos patrocinadores, apoiadores e realizadores do projeto. Será montado camarim com lanches, água, sucos e café para todos os participantes do espetáculo, em que se incluem copos, guardanapos e manutenção envolvendo a alimentação para uma média de 150 pessoas entre componentes da orquestra, coral, bailarinos, convidados e técnicos. No dia do espetáculo, a orquestra, convidados e equipe técnica almoçam em um local próximo ao auditório Araújo Vianna, pois passam o dia trabalhando e não tem condições de deslocamento até suas residências. São previstos 150 almoços.
5º mês - janeiro 2020: edição de imagens de vídeo do espetáculo. Fechamento do material para prestação de contas.
6º mês - fevereiro 2020: fechamento prestação de contas da equipe do projeto. Para divulgação do espetáculo serão confeccionados cartazes A3 (150 unidades Papel Coche Fosco, gramatura 120g) distribuídos em locais públicos; flyer (1.000 unidades) para distribuição em locais de acesso ao público; criação de página nas redes sociais, onde será alimentada com posts e pequenos vídeos chamando para o espetáculo; cartazes externos (lambe-lambe): 30 peças distribuídas em 30 pontos da cidade. Contratação de assessoria de imprensa para distribuição de releases e agendamento de entrevistas nos veículos de comunicação. Após o evento, será realizado um relatório do material publicado e do evento executado.”
É o relatório.
2. Inicio meu relatório com a máxima: com educação e cultura mudamos o mundo. A Orquestra Villa Lobos, regida pela professora Cecília Silveira, traz a realidade de uma sociedade que pouco oportuniza ao jovem de periferia o acesso à música, porém não para a professora Cecília que, em sua visão de mundo onde sua vida diária é a Orquestra Villa lobos, dedica-se aos que mais precisam e sua arma é a arte, a música e o ribombar da sonorização que nos tocam tão profundamente.
O espetáculo AFRIKA traz uma plêiade de artistas oriundos da música regional, popular e universal. Esta energia estará no palco, que se confundem com a força e luta da África Mãe em contraponto com esta áfrica aqui em Porto Alegre, nesta simbiose que une a Orquestra Villa Lobos à realidade de uma sociedade que nem sempre é justa e igualitária. Através deste projeto, com a mescla de crianças e jovens, um coral com mais de 60 vozes, onde não só a musicalidade no palco, mas também os bastidores, com oficinas e palestras vinculadas à temática AFRIKA e suas nuances humanísticas, culturais e musicais. Falar neste projeto da Orquestra Villa Lobos é a união da persistência, personificação e solidariedade do legado que nos foi DEIXADO por nossos ancestrais. Este projeto nos remete à história, à raiz e pertencimento de uma AFRIKA nem tão distante nos dias de hoje, que através da arte cultural e musical, tentamos resgatar a dignidade, a esperança e a certeza que podemos ainda em dias de chumbo e sombrio ser o poder de transformação. A exemplo da professora Cecília com seu trabalho coletivo na periferia da capital. Sendo assim, este projeto chega às mãos desta relatora que transforma a sua realidade também visualizando sua trajetória em transformação por meio da cultura e educação, pelas mãos de uma educadora abnegada, incansável e audaz. Este projeto também traz através de suas planilhas valores coerente ao mercado. Projeto como este tem todo o mérito cultural e devolve à comunidade o ensejo que por meio da música e cultura mudaremos, sim, o mundo. Este projeto prioriza as escolas com sessão à tarde e público em geral.
Obs: sugiro que no próximo projeto, a Prefeitura Municipal aporte pelo menos os 10%.
Segundo o poeta bageense, Eron Vaz Mattos, em seu poema Paisagem Interiores,
“Ah, se o mundo descobrisse
Essas notas melodiosas
E conseguisse entendê-las, nos seus valores reais,
A razão traria a luz aos enganos materiais,
A ternura voltaria aos corações racionais
O TER viria depois, o SER valeria mais,
Todos seriam irmãos, porque seriam IGUAIS!!!”
3. Em conclusão, o projeto “Orquestra Villa Lobos-Áfrika” é recomendado para a avaliação coletiva em razão de seu mérito cultural – relevância e oportunidade – podendo receber incentivos até o valor de R$ 219.915,00 (duzentos e dezenove mil, novecentos e quinze reais) do Sistema Unificado de Apoio e Fomento à Cultura – Pró-Cultura RS.
Porto Alegre, 11 de setembro de 2019.
Liliana Cardoso Duarte
Conselheiro Relator