1º - VIAMÃO NA GUERRA FARROUPILHA - O CASO DO CABO ROCHA - 2026Vinculado ao projeto de edital: VIAMÃO NA GUERRA FARROUPILHA - O CASO DO CABO ROCHA Processo: 25/1100-0001431-1 | Data de entrada: 18/07/2025 | Situação atual: Informação ao Proponente Área/Segmento cultural: LITERATURA: Impressão de livro, revista e outros Local de realização: VIAMÃO, PORTO ALEGRE |
Identificação: O presente projeto propõe a finalização da pesquisa, edição, design, tratamento de imagens, impressão, lançamento e distribuição do livro “VIAMÃO NA GUERRA FARROUPILHA - O CASO DO CABO ROCHA”, resultado das pesquisas do historiador Vítor Ortiz, e a edição de uma série de 5 episódios sobre o conteúdo abordado. A iniciativa inscreve-se no rol de diversas outras empreendidas pelo autor na busca de maior valorização e reconhecimento do município de Viamão como um dos mais relevantes sítios históricos do Sul do Brasil, território que é testemunha do processo de ocupação, colonização, guerras e desenvolvimento desigual no estado e no país e que, por isso, oferece grande elenco de fatos, personagens, propriedades e ocorrências merecedoras de estudo e aprofundamento. Ortiz é autor de Histórias de Viamão – Histórias do Rio Grande – Personagens e fatos da Primeira República na Velha Capital (Libretos, 2015); organizador do processo e da publicação do Inventário Participativo de Viamão (Prefeitura de Viamão, 1999); produtor e proponente da publicação Viamão 300 Anos (Pró-cultura, 2023) e do livro Tamoyo – O Time de Viamão (Voz Cultural e Libretos, 2024). É também o responsável pela criação do canal de podcast Histórias de Viamão, disponível em: https://open.spotify.com/show/1xwkNArvCOF5mpIgq0kYqp?si=RAGubhcgSyGOS2IKaVOK4w O livro terá aproximadamente 200 páginas, com capa e contracapa em policromia, design de Clô Barcellos e edição da Voz Cultural em parceria com a Editora Libretos. Serão impressos 1.000 exemplares e os recursos solicitados remuneram não só a produção editorial, mas também a etapa de finalização da pesquisa e a produção e edição dos podcasts. O CABO ROCHA Manoel da Rocha Vieira – o Cabo Rocha - nasceu em Viamão no ano de 1801 (LB 06, 20v) filho homônimo do pai Manoel da Rocha Vieira (1762-1817) e de Maximilia Antônia de Jesus (1784-1823), a mãe natural de Santo Antônio da Patrulha. O viamonense é figura icônica da guerra farroupilha, aparecendo em quase todos os relatos historiográficos, especialmente por ter realizado os primeiros disparos do conflito na batalha da Ponte da Azenha, quando os farroupilhas puseram em disparada a patrulha comandada pelo Visconde de Camamu, no dia 19 de setembro, à noite, véspera da tomada de Porto Alegre. Na página 515 do Dicionário de História do Brasil (Flores, Moacyr - EDIPUCRS - 4a edição)1, o verbete sobre Manoel Vieira da Rocha traz uma condenação desse personagem: “Vulgo Cabo Rocha, indivíduo de má índole que comandou as sentinelas revolucionárias da ponte da Azenha, em Porto Alegre, na noite de 19.09.1835, quando surpreendeu a tiros o visconde de Camamu, no comando de uma patrulha, dando início à Revolução Farroupilha.” O professor Moacyr Flores estabeleceu com isso uma verdadeira sentença da história. Segundo afirma, “...na tomada de Porto Alegre pelos rebeldes, o famigerado Cabo Rocha saqueou as chácaras, violentou as mulheres e degolou homens, exibindo suas orelhas nas ruas da cidade.” Em que pese as afirmações peremptórias, quando se vai mais a fundo na história, vê-se que a historiografia tradicional nem sempre faz a esperada justiça histórica. Embora realmente estivesse o tal Cabo Rocha de alguma maneira envolvido no assassinato de um dos mais prósperos comerciantes da elite porto-alegrense da época, o Coronel Vicente Ferrer, ao mesmo tempo ele representava um homem do contexto daquele momento da guerra farroupilha, integrante da Guarda Nacional, de onde vieram a maior parte dos que se levantaram ao lado de Bento Gonçalves, mais alinhados com o liberalismo e defensores de uma maior autonomia para os gaúchos nas decisões políticas locais frente ao mandonismo português, colonialistas, centralizador, concentrador e intervencionista. Tendo morrido logo em 1836, no massacre dos farrapos pelos imperiais ocorrido na Ilha do Fanfa, pouco mais de um ano depois daquela batalha da Ponte da Azenha, o Cabo entrou para a história como um algoz, sem ter tido a chance de se defender. Neste trabalho acerca deste personagem viamonense, o autor põe em suspeita a condenação historiográfica deste Cabo, resultante de uma tendência dos historiadores porto-alegrense, da “Muy Leal e Valerosa” Cidade: a de desprezar os que provém da Setembrina (denominação que os farrapos deram a Viamão ao manter aquela cidadela sob controle por quase todo o período da guerra) porque não eram ricos generais estancieiros e porque estiveram do lado perdedor da história. Para investigar mais a fundo a questão, o autor nos apresenta o contexto nacional do período regencial que levou à deflagração da guerra farroupilha, a Porto Alegre da época, como era aquela cidade colonial e escravista, a Viamão daqueles tempos e seus contrastes com a Vila de Porto Alegre e vai aprofundar a análise, apresentando os detalhes das investigações e os depoimentos constantes no Processo Crime promovido pela Justiça da Província para apurar as circunstâncias da morte do Coronel Vicente Ferrer, cuja orelha fora supostamente exibida como troféu pelo bando do Cabo Rocha. O objetivo do trabalho não é resgatar a imagem do Cabo Farroupilha, mas demonstrar a presença da violência na atuação política da época, a brutalidade do Estado Imperial, a presença das armas no cotidiano em todos os circuitos, dos mais populares aos mais requintados, e as vitórias que a narrativa elitista dos vencedores foi impondo à história, em prejuízo dos que foram marginalizados. Tempos depois, já no século XX, a rua Cabo Rocha, situada na Azenha, homenagem e lembrança daquele primeiro episódio da guerra farroupilha, passou a ser conhecida popularmente como a rua dos prostíbulos da Capital. Recentemente, teve seu nome alterado, sobrevivendo na toponímia da cidade a Vila Cabo Rocha, uma área de casebres e famílias mais pobres que se instalaram em terrenos devolutos entre a Vila Zero Hora e a Ipiranga, também nas proximidades da Ponte da Azenha. |
| Valor aprovado: R$ 100.000,00 | Vigência da captação: 20/10/2026 |
| Valor readequado: R$ -50.000,00 | |
| Valor captado: R$ 50.000,00 | Consultar as Empresas Patrocinadoras |
| Valor liberado: R$ 50.000,00 | Prestação de contas Relatório Físico: 19/12/2026 |
| Valor autorizado para execução: R$ 50.000,00 | Prestação de contas Relatório Financeiro: 19/12/2026 |
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