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ORGANIZAÇÃO, CONSERVAÇÃO, DIGITALIZAÇÃO, E ACESSO AOS DOCUMENTOS DO ARQUIVO HISTÓRICO DA MINERAÇÃO C - 2026

Processo: 00189/2026 | Data de entrada: 16/10/2026 | Situação atual: Aprovado
Produtor cultural: Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul

Área/Segmento cultural: PATRIMONIO CULTURAL MATERIAL

Local de realização: ARROIO DOS RATOS


Identificação:

A constituição do Arquivo Histórico da Mineração Carbonífera, custodiado pelo Museu do Carvão, localizado no município de Arroio dos Ratos/RS, foi motivada pelo desejo da comunidade de preservar os documentos que registram a exploração das jazidas carboníferas no Rio Grande do Sul, cuja exploração sistemática teve início em 1853. Em meados de 1996, a comunidade mobilizou-se em torno de um conjunto de ações voltadas à salvaguarda do acervo, então sob iminente risco de eliminação, diante da possível incineração dos documentos do Consórcio Administrador de Empresas de Mineração (CADEM). Essa mobilização resultou em iniciativas que viabilizaram a criação de espaços, ainda que provisórios, para o armazenamento dos documentos, além de promover a conscientização acerca da relevância histórica desses registros. Em 2013, foi celebrado um Acordo de Cooperação Técnica entre a Secretaria da Cultura do Estado do Rio Grande do Sul (SEDAC) e a Companhia de Pesquisas e Lavras Minerais (COPELMI), com o objetivo de recuperar o patrimônio histórico, documental e arquitetônico do Museu do Carvão. O acordo contemplou, entre outras ações, a execução do projeto cultural “Acervo Documental da Região Carbonífera/RS”, que possibilitou o início do processo de organização, classificação e tratamento do patrimônio arquivístico proveniente das empresas responsáveis pela exploração do carvão mineral nos municípios de Arroio dos Ratos, Butiá, Charqueadas, Minas do Leão e São Jerônimo. Composto por aproximadamente 1.100 caixas-arquivo, equivalente a um milhão de documentos, registros únicos da atividade mineradora na região. O trabalho de pesquisa arquivística e historiográfica, revelou um complexo mosaico de relações representadas no conjunto documental preservado, ampliando significativamente às possibilidades de consulta ao acervo. A publicação Arquivo Histórico da Mineração Carbonífera: Inventário dos Fundos Documentais (1889–1996), cuja edição mais recente é de 2021, e promovida pelo Instituto histórico Geográfico - IHGRGS, , apresenta de forma detalhada o processo de constituição, estruturação e classificação do Arquivo, destacando seu conteúdo, seu valor social e seu potencial como fonte de pesquisa. Destaca-se, nesse contexto, a presença significativa de imigrantes e descendentes de trabalhadores pioneiros da mineração, que dedicaram seus esforços — e, muitas vezes, suas vidas — à exploração do carvão ao longo da história da atividade carbonífera na região. Paralelamente, o acervo também atrai pesquisadores de diversas áreas do conhecimento, interessados em fontes documentais relacionadas à exploração das jazidas carboníferas. Nessa perspectiva, o Arquivo Histórico da Mineração Carbonífera, é de inestimável importância, e constitui-se como guardião da memória coletiva, preservando a história dos cidadãos, das instituições e das organizações que contribuíram para a formação social da região carbonífera. Configura-se, assim, como um verdadeiro “lugar de memória”. Entretanto, no início de maio de 2024, o Estado do Rio Grande do Sul enfrentou uma das maiores tragédias de sua história recente. As inundações que atingiram a maior parte dos municípios causaram perdas humanas e a destruição de inúmeras cidades. A calamidade climática gerou eventos sem precedentes, cujos impactos foram incalculáveis para o Estado e para a população gaúcha. No âmbito da cultura as enchentes provocaram danos severos à memória coletiva, com a destruição — e, em alguns casos, o desaparecimento — de acervos históricos, levando consigo parte significativa da história regional. Neste contexto, o arquivo histórico da mineração carbonífera, custodiado pelo Museu Estadual do Carvão, localizado na Cidade de Arroio dos Ratos, foi diretamente afetado por esse desastre, tendo parte expressiva de seu acervo danificada pela enchente. O patrimônio documental que, em 1996, havia sido recuperado e preservado sob risco de eliminação, encontrou-se novamente ameaçado de desaparição. As águas das enchentes mantiveram os fundos documentais submersos e inacessíveis por vários dias, até que fosse possível seu resgate, e logo a seguir, o congelamento da documentação preservando sua integridade física. Em março de 2025, tiveram início as atividades de conservação, reorganização, digitalização e ampliação do acesso ao acervo arquivístico, por meio de um projeto específico, promovido, dentro das limitações de tempo e de recursos disponíveis, pelo Instituto Histórico Geográfico do Rio Grande do Sul com recursos doados pelo Banco do Estado do Rio Grande do Sul. Essas ações representaram um passo fundamental no processo de resgate desse patrimônio documental, contudo, a dimensão do acervo, o estado de conservação, a reorganização do acervo documental e as especificidades dos suportes (documentos século XIX), demandam um maior aporte de tempo e recursos. Nesse sentido, o presente projeto visa dar continuidade às ações e atividades desenvolvidas até o presente momento. Ressalta-se que a interrupção desse processo, poderá acarretar não apenas o agravamento das condições físicas e de conservação e reorganização do acervo, mas também comprometer o acesso aos documentos, prejudicando o desenvolvimento de pesquisas e o atendimento às demandas da comunidade para fins pessoais, administrativos, culturais e educacionais, bem como a realização de projetos de educação patrimonial na região.